Vivemos atualmente o “BOOM” das instituições de ensino superior no Brasil. Certo dia ouvi alguém dizer que pelas avenidas principais da cidade, pode se notar que, para cada residência, há um boteco, uma igreja e uma faculdade. Apesar do exagero da afirmação, é o reflexo da nossa atualidade. Milhares de novas faculdades com preços cada vez menores e cursos com baixa duração surgem constantemente nos outdoors e meios de comunicação. O diploma de nível superior já não é mais a novidade e muito menos o diferencial em termos de conhecimento ou nível intelectual. As empresas selecionam cada vez mais profissionais com requisitos aquém da graduação em nível superior. Experiências como participações em estágios, programas de trainee, pós-graduações (MBA) e especializações mais específicas nos diversos segmentos fazem a diferença na hora da entrevista.Em contrapartida ao imenso número de alunos matriculados em cursos superiores, as diversas vagas abertas em todo o país mostram que existem sim, oportunidades de profissionalização para todo esse contingente de universitários. Uma pesquisa recente da Associação Brasileira de Estágios (ABRES) apontou mais de 62 mil vagas para ensino médio, superior e técnico em todo o Brasil. Além de dividir por regiões e áreas com mais vagas em cada estado. Em Brasília, a maioria das vagas está nas áreas de jurídica, comunicação, gestão em administração e Informática, segundo dados do CIEE.As áreas de engenharia civil, matemática, física e biblioteconomia sofrem com falta de profissionais qualificados e sobram vagas. Já nas áreas de direito, jornalismo, fisioterapia e farmácia as vagas são mais disputadas devido ao grande número de candidatos.
Nova lei de estágio
Com a aprovação da nova lei de estágio, os estagiários ganham com a redução da carga horária para 30 horas semanais, além da garantia do benefício das férias e vale transporte. Muitos ficam apreensivos quanto à posição das empresas em relação à nova lei; muitos acreditam que com as mudanças, o número de vagas deve cair e as empresas devem reduzir o quadro de estagiários. Em relação a isso, uma mudança pode ajudar: Profissionais liberais registrados em conselhos regionais (como advogados, engenheiros) poderão contratar estagiários. A política de estágio no país parece estar mudando para melhor com esta lei. Até então o estágio é visto mais como um “quebra galho” para pagar as despesas com a faculdade do que uma oportunidade de se adquirir experiência e por em prática o que é aprendido em sala de aula. Conheço vários alunos do ensino superior que costumam escolher estágios de 8 horas por serem os mais bem remunerados e, portanto, os que satisfazem suas necessidades financeiras. Marcelo Santos, um colega de sala do 5º semestre de jornalismo, ainda não estagiou em sua área e trabalha como enfermeiro em um hospital particular. Infelizmente a realidade do brasileiro não permite escolher um estágio apenas por ser em uma boa empresa ou ter um ambiente favorável de trabalho; como disse anteriormente, o estágio serve de apoio financeiro à faculdade, que em muitos casos, cobram mensalidades absurdas. Com a carga horária máxima de 6 horas por dia, os estudantes terão mais tempo para estudar e até mesmo buscar especializações como cursos de informática, inglês, e outros requisitos que são exigidos pelas empresas. Espero que sejam reduzidos os casos de universitários com olheiras e noites mal dormidas. Falo isso dos universitários-concurseiros, propriamente de Brasília, a capital do serviço público. Eu, particularmente, já passei pelo aperto de fazer os trabalhos da faculdade, ir para o estágio e tentar estudar para concursos de madrugada. Torçamos para que a lei nº 2419/2007 seja o ponto inicial para uma mudança a longo prazo na história do mercado de trabalho e até mesmo do ensino superior no país, com a mudança da política de contratação e uma nova percepção do termo “estagiário” no entendimento das pessoas.